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Presença da Cresaçor no Guia de Boas Práticas de Acessibilidade - Turismo Ativo

Good Practice Guide for Accessibility - Active Tourism (4,0 MB)

Vídeo Salvador nos Açores

A Cresaçor colaborou nas filmagens com disponibilização da carrinha adaptada e com realização de canoagem. Programa 10 com Luís Rodrigues.

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Vídeo Programa Vidas sobre atividades e formação

Programa Vidas - Episódio 16

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(A partir do min 4:32)

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ARTIGO - Potenciar o turismo inclusivo nos Açores através da formação

O Turismo social e solidário nos Açores

A importância do turismo a nível mundial impõe uma alteração de atitudes que permita estender esta actividade a todos os cidadãos, independentemente da sua condição social, física ou motora. Neste sentido, Portugal tem vindo a adoptar medidas de forma a satisfazer as necessidades de lazer de públicos vulneráveis, essencialmente devido ao surgimento de um mercado emergente até agora inexplorado. No caso dos Açores o conceito de turismo social e solidário continua a ser interpretado como um conceito teórico que dificilmente ganha contornos práticos, tendo em conta que está condicionado por factores culturais e sociais enraizados na sociedade. O público desfavorecido ou com incapacidade continua a ser colocado de parte no que diz respeito ao exercício da sua cidadania, muitas vezes pelos próprios familiares e amigos, como forma de protecção, uma vez que existe a ideia pré concebida que a sociedade não possui mecanismos e/ou instrumentos para a sua integração na sociedade.

A experiência da Cresaçor – Cooperativa Regional de Economia Solidária, CRL

 A Cresaçor, com alvará de empresa de animação turística nº08/2005, tem vindo a exercer a sua actividade na freguesia das Sete Cidades através do posto de Eco-Turismo “Eco-Atlântida”. Este posto tem como principais objectivos promover produtos de origem de economia solidária, promover o turismo social, solidário e inclusivo, através da disponibilização de actividades acessíveis a grupos desfavorecidos e pessoas com incapacidade e, por fim, promover o desenvolvimento local e comunitário das potencialidades em termos de recursos turísticos da zona rural das Sete Cidades. 

Da experiência da Cresaçor verifica-se que existem lacunas em termos de actividades de animação para públicos em risco, nomeadamente nas IPSS’s que têm como públicos-alvo crianças e jovens em risco e jovens, adultos e seniores com várias tipologias de incapacidade. E quando estas actividades existem os técnicos que as dinamizam, como por exemplo natação, futsal e atletismo, carecem de formação na área do desporto adaptado, condição fundamental para potenciar a sua performance e contributo para o desenvolvimento físico e intelectual destes públicos com necessidades especiais. Além disso, verifica-se também que o acesso ao lazer continua a ser um constrangimento do ponto de vista financeiro, na medida em que os Acordos/Protocolos de financiamento destas instituições normalmente não possuem rubricas que contemplem actividades de lazer, obstáculo que muitas conseguem ultrapassar com o apoio de organismos como a Direcção Regional da Juventude, a Direcção Regional do Desporto e a Direcção Regional da Igualdade de Oportunidades.

Entre as acções realizadas pela Cresaçor, com o objectivo de promoção do turismo inclusivo destaca-se aqui o “Triatlo para pessoas com necessidades especiais”, realizada nas Sete Cidades em Junho de 2010, onde participantes de quatro instituições (Associação Aurora Social, Casa de Saúde de São Miguel, Clube das Laranjeiras e Associação de Pais e Amigos de crianças deficientes do arquipélago dos Açores) tiveram oportunidade de conviver e praticar atletismo, BTT e canoagem. Nesta iniciativa, verificou-se o enorme potencial deste público, tendo em conta que o seu nível de motivação e desportismo são notáveis.

A formação como veículo de mudança

Tendo por base um diagnóstico de necessidades realizado mediante aplicação de um questionário aos técnicos de turismo que desenvolvem actividades desportivas com pessoas portadoras de deficiência, concluiu-se que o pedestrianismo, indubitavelmente, é a modalidade com maior potencial de desenvolvimento junto deste público, seguido da natação e da canoagem. 

Neste sentido, e visando promover a igualdade de oportunidades e a democratização do turismo, a Cresaçor promoveu, com o apoio do FSE/Pró-emprego, a realização, em Ponta Delgada, do curso de formação “Turismo inclusivo – pedestrianismo”, uma iniciativa que vai de encontro aos direitos das pessoas com incapacidade, designadamente a qualificação dos recursos humanos afectos à actividade. Este curso de formação, ministrado pelo Dr. António Queiroz, visou trabalhar as competências visadas, nomeadamente:

  • Identificar as necessidades/direitos das pessoas portadoras de deficiência de forma a contribuir para uma efectiva igualdade de oportunidades:
  • Reconhecer no turismo inclusivo um poderoso factor económico tendo em conta os potenciais clientes;
  • Qualificar os técnicos da área do turismo no desenvolvimento de actividades desportivas com pessoas portadoras de deficiência, nomeadamente pedestrianismo;
  • Evidenciar as prioridades de acessibilidade no que concerne a cadeia de serviços turísticos;
  • Importância do design for all como filosofia de planeamento de base ao conceito de Turismo para Todos;
  • Perceber factores de sucesso que podem ser identificados e devem ser considerados para o desenvolvimento de Turismo Inclusivo.

Esta formação com duração de 30 horas contemplou uma vertente prática nas Sete Cidades, onde os formados tiveram oportunidade de utilizar o Jouellette (cadeira para transportar pessoas com incapacidade na realização de passeios pedestres) de forma a verificarem a sua importância como instrumento de acessibilidade de pessoas com incapacidade ao meio natural.

Pelas suas condições naturais para a prática do turismo de natureza e pela adaptabilidade deste produto às necessidades/motivações deste nicho de mercado, os Açores têm grande potencial para o desenvolvimento do turismo inclusivo. No entanto, será necessário melhorar as performances dos vários stakeholders da cadeia turística, assim como sensibilizar a sociedade em geral para os direitos de acesso ao turismo, por parte de todos os habitantes do planeta, consagrado no Código Mundial de Ética do turismo, assim como na Declaração Universal dos direitos Humanos.

Bibliografia

Garcia, A., 2009, Turismo Acessível em Portugal – O caso do Turismo para Pessoas com Mobilidade Reduzida, Revista Turismo e Desenvolvimento nº11,pp.171-179.

Sarmento, E., 2010, Turismo Acessível: acessibilidade para turistas de mobilidade reduzida, Turismo Acessível – Estudos e Experiências, pp.23-24.

Porquê visitar os Açores?